It’s true, I crave you

Juro pra vocês que não só de desabafo e carta aberta vive a autora deste blog. Também gosto MUITO de falar sobre coisas aleatórias. Que seria da vida sem troca de ideias sobre o que torna nosso cotidiano melhor (e em dados momentos mais suportável)?

De vez em quando vou publicar uma lista com dez músicas aqui – seleção feita com base nas mais tocadas da semana, pois obviedade é especialidade da casa.

O título é simbólico, não me zoem. As músicas boa compensam, juro.

Montei a listinha de reprodução no youtube, mas quem usa Spotify pode acessar a playlist aqui.

Limites da transição

Crédito: Roman Tolici

Crédito: Roman Tolici

I certainly believe we all suffer damage, one way or another. How could we not,except in a world of perfect parents, siblings, neighbours, companions? And then there is the question on which so much depends, of how we react to the damage: whether we admit it or repress it,and how this affects our dealings with others.Some admit the damage, and try to mitigate it;some spend their lives trying to help others who are damaged; and there are those whose main concern is to avoid further damage to themselves, at whatever cost. And those are the ones who are ruthless, and the ones to be careful of [ Julian Barnes – The Sense of an ending ]

Tem dias que minha voz vira um fiapo e é difícil falar sobre qualquer coisa. Seja algo trivial ou sério. O pouco que resta de ruído vai se esvaindo e nessas horas a única forma de materializar a dificuldade é chorando. E você então chora largado e sem ressalvas, porque precisa, faz bem, e por vezes é o único meio possível de sentir uma manifestação de alívio. Tenho aí, contra minha vontade, um paradoxo: ao mesmo tempo que o choro me tranquiliza, o processo todo me dói de um modo MUITO agudo. É como se estivesse deixando exposta toda minha fragilidade, mais ou menos um “toma aí, pronto, dei o braço a torcer e estou desmoronando”.

“we’re concentrated on falling apart”

Existe o desejo de acreditar, ter fé, algum suspiro de esperança. Em contrapartida, quem também está lá, lutando com sua força para sair do buraco, é a especialidade em querer afundar ainda mais. Existe uma pegada meio can’t feel anything, when will I learn? I push it down, I push it down. Quando você se machuca muito passa a duvidar da possibilidade de se ferir ainda mais. Todo ser humano quer ter um lugar, mesmo que ele seja ruim. Mais ou menos como ter uma vontade tão absurda de viajar que você nem se importa em ficar no meio em uma fileira com três poltronas. Ou se jogar em um canto e lá ficar, ainda que não seja o lugar mais confortável do mundo. Mesmo não estando à vontade ou feliz com aquilo, comemore, campeão, você encontrou um lugar.

Às vezes nos contentamos em TER um lugar. Ou rola um conformismo: sabe-se não ser o canto mais apropriado, sabe-se das mazelas de ali permanecer, mas apesar da contradição vem também a sensação de quiçá merecer tudo aquilo. E é bem mais fácil afundar a tentar subir uma escada muito íngreme.

Por esse ponto de vista fica compreensível o desespero latente quando se tenta mudar de posição. Ter perspectiva mexe conosco, não há como negar. Tudo parece tão tentador no fim que, ao ver as coisas rolando tão devagar, parecendo que não vão mudar nunca, desanima. Aí entra e derrocada.

Porque em momentos de dor não pensamos que a sequência da vida não precisa ser linear, nem que o tempo cronológico foi um negócio criado para dar noção ao homem de que ele tem controle de alguma coisa. Pois não temos. E nessas de não controlar tudo desanda mesmo, e isso é humano. Viver é isso: é ter momentos de euforia intensa e, segundos depois, ser afetado por uma informação violenta o suficiente para não conseguir nem sair de casa por dias, pois falta ânimo. Uma montanha-russa dessas bem tecnológicas a malucas, tão poderosa que parece infinita.

Por isso tenho um pouco de aversão ao símbolo do infinito. Ele remete à minha montanha-russa interna, essa coisa desgovernada e com um mecanismo que me parece tão estranho. Nunca senti meu coração tão angustiado, porque quero ter paciência mas o desespero sempre faz questão de despontar nos meus momentos de maior serenidade.

Me encontro sem nenhuma defesa e até por isso a transição provoca tanta dor. Mudar é como ter um corpo estranho te invadindo, e por puro instinto o organismo rejeita em um primeiro momento. Mas aos poucos tomo consciência da necessidade de impor limites e respeitar meu ritmo de transição. Nesses momentos faço o possível para me prender às coisas boas que despontam de tempos em tempos.

Tipo uma citação de Proust, da série Em busca do tempo perdido, que o Caio me mandou em uma de nossas conversas, e com a qual fecho o texto deixando um espaço para reflexão.

“Assim vai mudando o nosso coração, durante a vida, e esta é a pior das dores; porém só a conhecemos atrás da leitura, pela imaginação: na realidade o coração se transforma da mesma maneira como se produzem certos fenômenos da natureza, tão vagarosamente que, embora possamos verificar de modo sucessivo seus estados diferentes, em compensação nos foge a sensação da mudança”

[ Escrito em 21/09/2015 ]

[ Vocês podem encontrar mais trabalhos de Roman Tolici, da ilustra no início do texto, aqui ]

 

Como lidar com: Análise

The Hesitation Waltz, de René Magritte

The Hesitation Waltz, de René Magritte

Vocês podem perguntar o por quê de tanto auê com relação a análise. Por que raios tanta propaganda e insistência? A resposta parece simples: saúde mental é uma delícia. Vão por mim. Nunca entendi quem vê glamour em tomar antidepressivo, mas pela minha experiência vejo remédio como paliativo. Em casos extremos é necessário para dar aquele empurrãozinho para a pessoa. Pois sim, há quem nem consiga ir ao trabalho devido ao estado emocional. Então ajuda! Mas se não houver acompanhamento do analista é tudo meio em vão. Porque problema é aquela coisa que desponta quando você menos espera.

Na análise você vai descobrir um monte de coisas óbvias sobre si mesmo. Gosto de comparar com a leitura de um livro, quando ficamos intrigados com o título e ele magicamente aparece no meio do enredo. E nós ficamos com aquela cara de wow, aqui, no meio da história, esse título faz ainda mais sentido! Nas primeiras sessões você vive isso o tempo inteiro, batendo com a cara na parede por conta muuita coisa que estava clara o tempo todo sobre sua personalidade, mas você sempre ignorou ou nunca parou para reparar com calma.

A partir disso você passa por todo uma fase de autoconhecimento. Afinal, precisamos de uma base, um ponto de partida. Isso não se desenvolve de um modo linear – segue seu fluxo de pensamento. Você pode passar cinco sessões falando sobre seus conflitos atuais e, do nada, surgir uma lembrança da infância. Também é impressionante o modo como as coisas vão se conectando com o passar do tempo.

Nossa, muito sedutor isso aí. Mas tão caro, não é?

Amigos, como vocês se sentem quando alguém te pede um orçamento, você manda e a pessoa responde: “tá caro, será que não rola um descontinho, rs?”. Psicólogo/psicoterapeuta, como todos nós, estudou, fez especializações. Ele investiu tempo e esse dinheiro que o belíssimo pão duro tem tanto apego serve para pagar por todos esses anos de formação. O seu vestido novo, celular de última geração, tênis para corrida, todos foram caros também. Me dá um pavorzinho toda vez que alguém diz que não faz porque custa muito dinheiro.

Vai por mim: dá para encontrar bons profissionais por preços acessíveis às suas condições financeiras. Gente, sou jornalista, atualmente trabalhando como freelancer. Dinheiro não é abundante nessa vida, muito menos nessa área, e consegui dar um jeito. Você também consegue, vai por mim. Tudo é negociável. Existe a opção de fazer um número menor de sessões também. Enfim, conversem! Sempre dá para encontrar um jeito.

Meus amigos vão me zoar quando eu disser que tô na terapia, e agora?

Olha, vem cá, chega mais: em alguns momentos da vida é preciso mandar o amiguinho para o inferno. Isso mesmo. Maravilhoso ter amigos, mas antes de qualquer coisa: a vida é toda sua. Ninguém precisa meter bedelho e julgar suas escolhas. Tá aí outro negócio incrível que aprendemos com a análise: nós somos donos de nossas vidas e precisamos aprender a lidar com nossas escolhas por conta própria.

Já tive esse defeito. Pensava tanto nas possibilidades de julgamento que demorei 24 anos para dar um jeito nessa vida e agora estou aí tentando correr atrás do prejuízo. Se a pessoa acha absurdo você investir em análise pode ser o caso de repensar sua amizade, só uma dica.

Legal, estou convencido. Como proceder?

Minha sugestão é procurar contatos com amigos. Converse, tente conhecer qual linha o analista segue, dê uma pesquisada. Eu sou fãzoka assumida de Jacques Lacan e não consigo me imaginar fazendo análise com uma linha diferente. Mas isso TAMBÉM é bem pessoal, se vocês quiserem posso até fazer um post geralzão explicando os princípios de cada linha. Pesquisar é fundamental! Conhecer um pouco da análise dos seus amigos que querem te passar uma indicação também.

Peça sugestões sem medo! Porque escolher meio a esmo é complicado. Você pode dar sorte e se identificar logo de cara, ou ser meio decepcionante e você não querer voltar nunca mais. Ah, vale dizer: se for decepcionante e a análise for um fardo para você, troque. Troque até achar um analista com o qual se sinta à vontade para desabafar.

Lidy, mas eu morro de vergonha de falar sobre coisas pessoais ):

Migos, nem todo mundo tem facilidade, fiquem tranquilos! Isso é algo, por vezes, que leva tempo. Por isso é tão importante achar um analista que te deixe à vontade. Lembrando que o profissional não faz milagres. Ele está ali para te orientar. Ele vai te guiar a partir do que você conta. Por isso é tão importante não omitir nada e ir perdendo o receito aos poucos. Acima de qualquer coisa, é um profissional. Ele não vai te zoar (se fizer isso, estranhe), não vai fazer nenhum tipo de julgamento. Ele quer te conhecer justamente para encontrar a melhor forma de te ajudar a mandar essa angústia para longe.

E se serve de incentivo, ele não é da tua roda de amiguinhos. Pode contar seus causos mais escabrosos, não vai sair de lá DE VERDADE. Confia ❤

Olá, mundo!

Ou: WHAT THE FUCK estou fazendo da minha vida criando mais um blog?

Não vou assassinar meu bebê De Maneira Alguma…, ele é uma gracinha e tenho muito orgulho da minha primeira cria. Ele tem coisas boas e não merece o sacrifício. Inclusive vou deixar um link para ele na barra lateral, vai ser tipo um bônus do arquivo do blog (?!). Mas chegou essa fase da vida em que preciso aprender a lidar e estou com coceiras nas mãos porque não dá para ficar parada E não compartilhar tudo isso com as pessoas pois sim, Lidyanne também é rainha do overshare! Overshare “do bem”, juro, suave e saudável, daqueles gente como a gente pra pegar na mão do coleguinha e dizer “calma, não chore tanto, tem gente tão angustiada no mundo quanto você!”.

Pra quem caiu aqui e tá perdido, vamos lá: meu nome é Lidyanne, tenho 24 anos, sou jornas por formação (também reviso, escrevo, danço, faço sapateado, fotografo, faço cara de paisagem….) e por alguns anos “mantive” o blog De Maneira Alguma. Hoje tenho uma newsletter fofa onde falo sobre várias coisas e sobre nada. Criei o blog com o intuito de discutir tudo que venho aprendendo/esclarecendo com a análise e compartilhar com quem tá tão perdido quanto me senti antes de começar esse processo.

E mores, não vamos ter vergonha de dizer pros amiguinhos que vamos ao psicólogo, tá? Inclusive todos deveriam ir, recomendo fortemente (juro que o mundo seria um lugar mais suave se todos fizessem).

Então vamos todos nos abraçar, dar uma força pra amiguinha virtual e aprender a lidar com os agouros todos ❤