Os tais livros infantis

Você tem aquela certeza de que não dá pras e envolver mais ainda com literatura, até o dia em que acaba se demorando na sessão de livros infantis. Entre capas duras muito elaboradas e brochuras, muita cor, desenhos e quase nada de texto, descobri todo um mundo mágico com o qual não tinha contato há muito tempo. Isso faz mais ou menos dois anos. Foi um fascínio que veio do nada, dado que naquela época  e até hoje não tenho nenhum contato com crianças.

A vida segue na vibe da zoeira eterna, e acabei conseguindo emprego em uma editora cujo foco são os livros infantis. Tô mergulhada na categoria? Estou sim! E vai sobrar pra todo mundo, pois gente: todo um universo dos mais lindos e super acessível. Quer dizer, não dá pra comprar porque não tá tendo onde guardar mais livros físicos e livros para crianças não são nada baratos. Mas dá pra fazer aquele passeio na livraria ou na biblioteca e ler vários de uma vez só.

Tem muito tempo que não escrevo sobre livros e achei por bem unir o útil ao agradável. Vou falar sobre dois autores que me levaram aos livros infantis e mais dois que conheci recentemente. Boa leitura!

 

Onde tudo começou

De praxe: tudo reside em Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak. Fui atrás depois de ver o filme e foi amor, porque tive aquele primeiro estalo de perceber que nem todo livro feito para crianças subestima as capacidades cognitivas de seu público. Claro, cada obra quer passar uma lição, algum valor, mas quando é para crianças mais novinhas costuma ser tudo bem escancarado mesmo. Em obras como as de Sendak há muito nas entrelinhas. Ele enaltece muito o lado instintivo de seus personagens, criando aquela proximidade e identificação que cativa qualquer leitor. As ilustrações, no caso específico de Onde vivem os monstros, tem, justamente, figuras imperfeitas. E se vocês pensarem bem é uma mensagem linda, porque tenta ensinar a amar pelo que as pessoas (ou, neste exemplo, os monstros) são, e não pela sua roupagem externa. Recomendo ler este artigo que saiu na Mental Floss há alguns anos, listando 10 curiosidades sobre Sendak.

 

O desdobramento

onda espelho

Estava na Livraria da Vila com a minha amiga Jéssica quando passamos pela sessão infantil e ela veio me falar de Suzy Lee. Isso mesmo, “peguei ponte aérea” à Coréia do Sul e fiquei apaixonada pelo trabalho de Lee. Ela dispensa textos e é super habilidosa em criar diálogos apenas com desenhos. Amei o fato de ser uma guria solitária (o adjetivo é meu), sempre sozinha, tentando desbravar o mundo dentro de suas possibilidades. No Brasil, a CosacNaify (RIP, que também publicou Onde vivem os monstros) publicou Onda, Sombra e Espelho. Sombra e Espelho falam de descobertas pessoais, é um diálogo consigo mesmo. Já em Onda temos uma perspectiva de contato com a imensidão do mar. E editora também lançou A Trilogia da Margem, onde fala sobre seu processo de produção e a forma como podemos explorar a imagem sem a necessidade de apelar para o texto. O livro é destinado a docentes do Ensino Fundamental, e também conta a experiência da  autora ao visitar escolas que adotaram seus livros. A protagonista brinca com os limites definidos pelas linhas e margens, o que traduz muito bem o encanto da literatura. Um simples objeto de papel que nos permite tanta coisa. Uma das características que mais me encantam em livros para criança é a forma como eles aproveitam o espaço físico do livro.

sombra

 

Estamos no livro errado

Entrei na editora junto com Estamos no livro errado, de Richard Byrne. Ele tinha acabado de chegar da gráfica, eu, dos longos meses de desemprego. Nos demos muito bem. A Panda Books também publicou Este livro comeu o meu cão do mesmo autor. Em ambos o livro é um personagem muito bem utilizado. O do cão gira em torno do desaparecimento do bichinho de estimação da Bella, “engolido” pelo livro. Ela o procura ao longo das páginas e bem, é uma obra toda interativa, perfeita para contação de histórias. Estamos no livro errado é um pouquinho mais elaborado, mostrando todos os tipos de livros possíveis. Tem de tudo – história em quadrinho, jogo dos 7 erros, tutorial para fazer um barquinho e papel, e por aí vai. Bella tem um amigo, Beto, e ambos saem por aí pingando em vários cenários. Amigos, outro detalhe: tão fofinhas as ilustras que dá vontade de apertar ❤

O bônus do livro infantil da diferentona (pois sério)

CAPA_O grande amigo_72dpi_10cm__RGB

Também da editora, temos o livro de Katia Canton (ilustrado por Renato Moriconi), O grande  amigo. Este é mais cabeça, para crianças um pouco mais velhas. A Katia é professora da USP e curadora do MAC (Museu de Arte Contemporânea da USP). Se eu fosse criança é bem certo que me identificaria horrores com o Rodrigo, personagem central dessa história. Imaginem, os amiguinhos e a própria família do menino o apelidaram de Bicho do Mato só porque ele é muito tímido. Breve e muito verdadeiro, fala sobre a importância da autoestima. Para isso, ela faz um paralelo com os autorretratos de Rembrandt. Simples, objetivo, e com uma mensagem importante em tempos onde o bullying está sempre em pauta.

Esta foi a minha “porta de entrada” neste universo. E vocês, gostam? Tem curiosidade? Vamos trocar figurinhas sobre isso ❤

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