Por que amo e por que ir a Campo Grande

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Embora tenha nascido em Campo Grande, levei dez anos para chamá-la de lar. Uma década perambulando pelo interior do Mato Grosso do Sul para, em 2001, colocar tudo em caixas e enfim morar na capital, de onde só sairia, veja só que coincidência, dez anos depois. Aconteceu toda a fantasia de estar em uma “cidade grande” e ter acesso a coisas que nem existiam no interior, como livrarias (poisé), por exemplo. Deslumbre que dissolveu em pouco tempo e se solidificou na forma de ódio intenso. Eu detestava a Cidade Morena – apelido famosinho, que nem as pessoas que chamam Porto Alegre de PoA, sabe? Me sentia sufocada. Com a sensação de estar no mesmo lugar de antes, apesar da diferença de tamanho. Nossa única conexão era o céu. Tinha paixão pelo pôr-do-sol e as noites estreladas, poderia contemplar ambos sem perceber qualquer detalhe ao meu redor.

Aquele velho mote do “nós só valorizamos quando perdemos” fez todo sentido com o passar do tempo. Nunca perdi a conexão com o céu, enquanto minha ligação com o ódio evaporou. Bastou mudar de cidade para aprender a gostar da minha terrinha e sentir falta de cada detalhe.

A capital do Mato Grosso do Sul tem 853.622 habitantes e é uma idosa jovem: tem só 116 anos. Não é um número muuito expressivo e sim, a tendência é conhecer todo mundo! É bom ter um lugar com o mínimo de estrutura, mas com aquele clima gostoso de interior. Depois de seis anos no caos paulistano passei a morrer de saudade da tranquilidade que tinha por lá. Acordar com passarinhos cantando era de praxe e, apesar do tempo seco, a cidade é super arborizada e só isso já me dava outro ânimo na hora de sair de casa. Foram os pequenos detalhes que me ensinaram a amar Campão (mais um apelido!). Essa serenidade obtida sem empecilhos, ter para onde fugir quando quero ficar sozinha, poder chegar aos compromissos sem atrasos e sem perder horas no trânsito, ter tempo e ter tudo isso em uma cidade que tem sim o seu charme.

Para mim sempre foi gostoso poder caminhar no parque – sempre com a companhia das capivaras, que caminham tranquilamente nas imediações do lago – e tomar uma água de coco depois, ou sentar em uma das muitas lanchonetes de lá para jogar conversa fora e tomar um suco. Quem é mais da noite pode escolher entre vários bares e baladas para todo tipo de grupo – coisa que mudou bastante de uns anos pra cá.

Se não bastasse tudo isso, a capital ainda oferece iguarias gastronômicas que olha, não sei nem o que dizer, só sentir. Ainda vou falar sobre as comidas típicas por aqui, mas quem não se aguentar pode dar um google no sobá, sopa paraguaia (que não é sopa, risos), carreteiro, linguiça de Macaraju, chipa… a lista é enorme. Tinha que comer sobá sempre, e na feira – porque em restaurante não tem graça, e poucas coisas são melhores do que chipa com café no fim da tarde.

Quer motivo maior para conhecer uma cidade do que poder experimentar um monte de comida boa em um ambiente sossegado?


Este post faz parte do Projeto Eu ❤ Minha Cidade. Conheça os outros blogs! Ah, sempre vou deixar na categoria “Viagem” e usar essa tag também, porque a ideia é despertar o interesse das pessoas para viajar até lá.

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Como é bom ser vida loka, versão gringa

Peguei meu caderninho rosa, presente que a Lu me deu no meu último dia de trabalho, e fiz uma lista de todos os lugares que gostaria de conhecer no continente europeu. Fiz simulações de voos e de trem para ter noções de valores e, de acordo com os resultados (no caso, os menores valores), defini: Bruxelas, Berlin e Amsterdã. Depois Paris, na volta, e Besançon, no fim das férias, onde voltaria ao meu curso no CLA (tive duas semanas de férias no meio do curso). Liguei pro meu pai na hora, pedi uma ajuda porque tinha viajado só com um cartão de débito e dinheiro “em espécie” e fechou rolê. Claro que na hora eu não tinha a menor dimensão do que acabara de fazer, mas na véspera da viagem estava desesperada pensando no quanto poderia dar ruim. Imaginem, uma mulher, sozinha, viajando pela Europa! Ainda não existia aquela ideia de que ok, na Europa é mais seguro, vamos zerar essa agonia. Muitos filmes se passaram pela minha cabeça – me vi sendo assaltada, furtada em meio a distração, chorando ao me perder e claro, a pior das hipóteses: sendo estuprada. Credo.

No último domingo, dia 24, comemorei um ano desse “projeto” maluco. Spoiler: correu tudo bem e a cota de perrengues foi fácil de lidar. Tenho passado por nostalgias muito doloridas com o simbolismo de “um ano depois”, vejo as fotos sentindo cisco nos olhos. Diluir a dor envolve relembrar os momentos e eternizá-los escrevendo, então vamos lá.

Alucinada é um qualificativo bem aplicável ao meu estado uma semana antes do dia 24 de abril de 2015. Tinha acabado de voltar de Madrid com roupa pra lavar, precisava entregar alguns trabalhos extensos no curso antes do recesso e comprara um coletor menstrual para não usar menstruação como desculpa para cancelar um passeio. Comprei um tênis novo, que um dia foi cinza e hoje está deveras desbotado. Reorganizei a mochila emprestada da amiga grávida (palavras dela: “meu sonho poder viajar, mas quando você chegar em Amsterdã é provável que eu esteja em trabalho de parto”), coloquei meus roteiros, confirmações de hostels e passagens dentro de uma pasta e fui, tremendo e suando frio.

O tênis, quando ainda era cinza

O tênis, quando ainda era cinza

Tinha feito um roteiro para cada país. Andando em Bruxelas, o primeiro destino, acabei caindo em locais que estavam planejados para o dia seguinte, e decidi “remanejar” os rolês. Das primeiras impressões, guardo um dos poucos incômodos de viajar sozinha – não ter alguém pra ajudar a guardar mesa quando vai ao bar, por exemplo. Coisa que pode ser resolvida fazendo amizade e pedindo pra alguém guardar sua cadeira. Teimei em acreditar que fosse possível, dado que desde sempre espero o pior das pessoas e nossa, como uma atitude bondosa surpreende. Nessas andanças belgas tive que virar uma chave e me abrir ao desconhecido sem pestanejar.

Teve o cara do supermercado, que viu minha cara de perdida, pegou meu mapa e foi caminhando comigo quase até a porta do hotel. A moça da loja de cacarecos, que perguntou se podia riscar meu mapa para indicar o caminho e ainda me levou até a porta da loja para apontar o caminho. O moço do pub do hostel, que sempre reservava minha cadeira e ainda descolou um estoque de spekulaas (a versão bolachinha) no meu último dia. O casal que conheci por um acaso no bar da Delirium e no fim das contas acabou me fazendo companhia por algumas horas.

Ir sozinha pro bar e tomar duas cervejas diferentes ao mesmo tempo? Claro que pode

Ir sozinha pro bar e tomar duas cervejas diferentes ao mesmo tempo? Claro que pode

Foi a primeira vez, em (quase) 24 anos, que senti que dava mesmo para ser sozinha, mesmo estando longe de tudo que me era familiar.

Quando cheguei em Berlin, no segundo dia, resolvi tomar uma cerveja num pub qualquer. Vocês sabem – alemães não brincam em serviço. É meio litro ou litrão. Quando um cara se ofereceu para pagar o refil, senti medo, mas ele parecia ok e só pedi uma água pra dar uma equilibrada pois nunca se sabe. Mais alguns dias por lá mostravam – era uma prática comum. É machista? Em certa medida sim, aquela velha ideia de que é o homem quem paga a conta. Mas eles não exigem nada em troca. Pagar a bebida é uma formalidade, não é um convite pra te agarrar depois. Vez ou outra terminava em um bar tomando cerveja e conversando com estranhos. Tive papos ótimos sem precisar fazer algo que não estivesse disposta depois.

Imaginem minha cara quando cheguei aí. Chorei largado.

Imaginem minha cara quando cheguei aí. Chorei largado.

Berlin foi um momento de pura introspecção, sentia necessidade de estar sozinha com os meus pensamentos e estava maravilhada demais para pensar em qualquer forma de interação. No começo foi um pouco medonho, pensei na possibilidade de iniciar uma guerra interna por passar tanto tempo comigo mesma. Imaginem a surpresa de ter um encontro tão leve. Acordar e dizer ao espelho “e hoje, para onde vamos?”. Deixar o roteiro “acontecer” por onde os pés me mandassem. Percebi que minha companhia estava longe de ser um fardo, e talvez o único empecilho fosse a independência. Visto minha capa de autossuficiência e com isso acabo repelindo pessoas sem nem me dar conta.

Selfie na paradinha para descansar as pernas em Berlin

Selfie na paradinha para descansar as pernas em Berlin

Teve sua contrapartida – uma oportunidade de ser ousada e pedir o contato da amiga-da-amiga. Assim conheci Nana. Até então sabia que ela morava em Berlin, e só. Nunca tinha trocado uma palavra com a moça e terminei encontrando uma das melhores anfitriãs possíveis. Nana me indicou um dos melhores museus  da cidade (Museu Judaico) e ainda me levou para um tour pela cidade. Foi o dia que mais andei na viagem toda, e sinceramente não sei como a sapatilha vagabunda da Primark (custou o que, 5 euros?) deu conta dos meus pés, mas valeu cada minutinho. Era dia do trabalho, 1º de maio, data marcada por festas de rua em Berlin. Atravessamos a cidade em meio a pessoas “felizes” com suas garrafas de cerveja nas mãos.

Nessa altura já me sentia muito livre e à vontade, amando essa possibilidade de poder andar pelas ruas sem sentir palpitações de ansiedade. Era prazeroso não pensar em tempo. Tinha alguma mágica em viajar que retirava qualquer pedra do caminho. Foram quase duas semanas sem sentir nada no corpo. Claro, tinham os pés doloridos, mas não houve tpm, gastrite, cólica, gripe, nada. Nenhum fator externo conseguiu me derrubar porque eu me sentia plena, feliz. Sabe quando você só consegue chorar por motivos de emoção ao ver tudo que você só conhecia por foto?

Obter isso sozinha foi uma grande vitória.

Quando desembarquei em Amsterdã, já no fim das férias, zerei toda e qualquer expectativa. O que viesse era lucro. Nessa altura já nem ligava mais para conforto – tinha vestido que àquela altura eu usava pela quarta vez, sem lavar, o hostel era bem barulhento, mas eu só estava lá para dormir e depois de um dia inteiro andando, barulho nenhum me impedia de capotar. Ignorei de vez meu roteiro, pois bastou uma voltinha para me familiarizar com a região do hostel para entender que a graça de Amsterdã estava em suas ruas, e não dentro de um museu. Não que tenha problemas com isso, rodei vários museus nos destinos anteriores e gosto muito. Mas Amsterdã carrega muitas peculiaridades em suas calçadas estreitas e os meus euros já não eram mais os mesmos de Bruxelas para pagar 17 contos e passar a tarde olhando pinturas e esculturas. Decidi investir 18 euros no de Van Gogh por motivos de ele merece.

A chegada de Caio foi muito conveniente para fechar a viagem – naquela altura não era imprescindível ter companhia, mas o fato de ter foi quase um presente. Ainda mais quando é um amigo que te entende e topa fazer turismo chapado contigo. Andávamos meio sem rumo pela cidade e, quando os pés pediam descanso, a gente entrava em algum bar/coffee shop para tomar o chope de produtividade. Coisas que aconteciam em nossas pausas: chuva em slow motion, paleta de cores surreal, tese de mestrado sobre é o tchan, teoria do Jardim Secreto, entre outros. Registros em vídeo nem foram pensados, deixamos para as memórias, uma ou outra foto, e algumas frases sem sentido algum marcadas naquele caderninho rosa que ganhei da Lu.

 

Amsterdã, sua louca

Amsterdã, sua louca

Esses quatorze dias foram definitivos, mudaram muitas das minhas percepções e me fizeram virar os olhos para mim e deixar um olhar mais demorado acontecer. Chamei de “vesguice favorável”. Precisei de mais alguns tombos para cair na real mais ou menos um mês depois da viagem, mas sei o quanto esse período me perdendo foi fundamental para me encontrar na medida necessária.

Se hoje digo que estou no caminho certo, com certeza foi graças a essa viagem. E me jogaria mais cinquenta vezes para encontrar o que continuou perdido.

A treta da balança

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Comida travestida de solução para problemas. Já aconteceu com vocês? Comigo sempre. Uma das formas mais fáceis de obter alívio imediato. Não fico calculando nada, vou lá e como qualquer coisa que pareça agradável ao meu bucho e ao fim de todo e qualquer conflito mental. Creio que só de pensar em preencher minhas angústias com comida já ganho pelo menos 1kg. Quando vi este tweet, me peguei rindo da própria desgraça, pois muito real. Me identifiquei, levei na esportiva… mas os amigos que emagrecem nessas situações levaram bem a sério e não gostaram.

Tenho problemas com peso desde os meus 13/14 anos.

Meu maior sonho : ter a mentalidade dos meus dez anos, quando não ligava para nada. Fui uma criança gordinha das mais orgulhosas, dancei sapateado na cara de todos que se uniam para me presentear com o bullying perfeito. Meu único trauma no período foi uma professora de ballet que, após uma aula experimental, disse a minha mãe que eu não poderia fazer ballet pois era muito gorda. Eu tinha cinco anos. Nem pensei em emagrecer, claro, mas passei minha vida inteira evitando qualquer contato com a dança porque rolou trauma, parecia que não era para mim.

Passaram-se anos, embaranguei rude e, no auge dos meus 14 anos, comecei a me incomodar. Era espinha na cara, cabelos monstruosos (era bem assustador mesmo), unhas gigantescas e cheias de cutículas, a bunda do tamanho de uma semana e…a barriga. A barriga transbordando na calça. Vivia de camisetão para disfarçar meu show de horrores pessoal. Com essa idade o bullying ganhou outro tom. Na infância os pirralhos tinham uma puta criatividade para criar apelidos, na pré-adolescência um simples “além de feia é gorda” poderia se transformar em ruína. Percebam a gravidade do julgamento – criança ou adolescente, a gente não tem uma capacidade de filtro muito boa. As críticas nessa faixa etária são muito significativas – deixam marcas em nós que podem nos acompanhar por muito tempo e levar ANOS para cicatrizar.

Comigo não foi diferente – embora eu adorasse posar de durona, séria, a moça que não se afeta com nada! Tanto que fui bem discreta na minha busca por uma nutricionista e ao fazer uma ficha na academia próxima de casa – isso mesmo, academia aos quinze anos, pois seguia com a noia de não poder arriscar qualquer tipo de dança. Virei uma pessoa mais ativa e disposta, aprendi muito sobre alimentação saudável, aprendi a dosar as porcariadas, entendi a importância de manter o corpo ativo – tudo isso sem exageros, entendendo o meu ritmo pessoal.

Com uns 10kg a menos tudo mudou – passei a receber elogios, as pessoas pareciam me enxergar. Isso causou toda uma confusão na minha cabeça oca de jovem, parecia que ser magra era a solução pra ser aceita! Belíssima a embalagem, mas o conteúdo era o mesmo – danificado – de antes. Seguia sendo esquisitona e cheia de problemas, e as pessoas pareciam se forçar a me aceitar só pelo fato de ter me tornado uma coisa visualmente aceitável. Isso cresceu na minha cabeça e desandou legal. Ficar magra virou uma obsessão. Na sequência, alguns anos depois, passei por uma situação de grande stress recém-saída de um relacionamento abusivo e, na tentativa de ganhar peso (sim, a coisa tomou proporções inesperadas e eu não me contentei com os 10kg a menos), desenvolvi uma gastrite. Ter que decidir meu futuro profissional potencializou a coisa e bem, aquelas eram as minhas boas-vindas calorosas à vida adulta.

Porque desde então o negócio degringolou. Engordar significava estar com as taxas alteradas, e comecei a me deparar com “situações limítrofes” constantes entre glicose, colesterol e ferro. 17 fucking anos apanhando pra entender que foda-se a estética, o importante era se sentir bem, pra ter a vida esfregando na cara que aumento de peso tinha deixado de ser um problema externo. Desde então oscilo aí entre 5kg que vão e voltam, exames a cada seis meses pra ter certeza que não preciso me desesperar com números descontrolados.

Pois saibam que tem gente magrinha, seca, bem mais magra que eu, com os mesmíssimo problemas. Sabe qual a treta principal de tudo isso? A ansiedade! Nenhuma oscilação aconteceria – nem perder e nem ganhar muito peso – se essa infeliz não nos perturbasse tanto o espírito.

Então deixo aqui minha dica: quando o coleguinha reclamar da balança – seja pelo número elevado ou reduzido – não seja uma pessoa ruim e sem tato. Ofereça um abracinho e cancele a lição de moral. Tudo que a gente precisa, às vezes, é de um ombro amigo que não julgue a nossa dor – por mais tola que ela aparente. Acreditem.

 

(Sim, isso é uma preparação de terreno pro vídeo de amanhã)

Os tais livros infantis

Você tem aquela certeza de que não dá pras e envolver mais ainda com literatura, até o dia em que acaba se demorando na sessão de livros infantis. Entre capas duras muito elaboradas e brochuras, muita cor, desenhos e quase nada de texto, descobri todo um mundo mágico com o qual não tinha contato há muito tempo. Isso faz mais ou menos dois anos. Foi um fascínio que veio do nada, dado que naquela época  e até hoje não tenho nenhum contato com crianças.

A vida segue na vibe da zoeira eterna, e acabei conseguindo emprego em uma editora cujo foco são os livros infantis. Tô mergulhada na categoria? Estou sim! E vai sobrar pra todo mundo, pois gente: todo um universo dos mais lindos e super acessível. Quer dizer, não dá pra comprar porque não tá tendo onde guardar mais livros físicos e livros para crianças não são nada baratos. Mas dá pra fazer aquele passeio na livraria ou na biblioteca e ler vários de uma vez só.

Tem muito tempo que não escrevo sobre livros e achei por bem unir o útil ao agradável. Vou falar sobre dois autores que me levaram aos livros infantis e mais dois que conheci recentemente. Boa leitura!

 

Onde tudo começou

De praxe: tudo reside em Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak. Fui atrás depois de ver o filme e foi amor, porque tive aquele primeiro estalo de perceber que nem todo livro feito para crianças subestima as capacidades cognitivas de seu público. Claro, cada obra quer passar uma lição, algum valor, mas quando é para crianças mais novinhas costuma ser tudo bem escancarado mesmo. Em obras como as de Sendak há muito nas entrelinhas. Ele enaltece muito o lado instintivo de seus personagens, criando aquela proximidade e identificação que cativa qualquer leitor. As ilustrações, no caso específico de Onde vivem os monstros, tem, justamente, figuras imperfeitas. E se vocês pensarem bem é uma mensagem linda, porque tenta ensinar a amar pelo que as pessoas (ou, neste exemplo, os monstros) são, e não pela sua roupagem externa. Recomendo ler este artigo que saiu na Mental Floss há alguns anos, listando 10 curiosidades sobre Sendak.

 

O desdobramento

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Estava na Livraria da Vila com a minha amiga Jéssica quando passamos pela sessão infantil e ela veio me falar de Suzy Lee. Isso mesmo, “peguei ponte aérea” à Coréia do Sul e fiquei apaixonada pelo trabalho de Lee. Ela dispensa textos e é super habilidosa em criar diálogos apenas com desenhos. Amei o fato de ser uma guria solitária (o adjetivo é meu), sempre sozinha, tentando desbravar o mundo dentro de suas possibilidades. No Brasil, a CosacNaify (RIP, que também publicou Onde vivem os monstros) publicou Onda, Sombra e Espelho. Sombra e Espelho falam de descobertas pessoais, é um diálogo consigo mesmo. Já em Onda temos uma perspectiva de contato com a imensidão do mar. E editora também lançou A Trilogia da Margem, onde fala sobre seu processo de produção e a forma como podemos explorar a imagem sem a necessidade de apelar para o texto. O livro é destinado a docentes do Ensino Fundamental, e também conta a experiência da  autora ao visitar escolas que adotaram seus livros. A protagonista brinca com os limites definidos pelas linhas e margens, o que traduz muito bem o encanto da literatura. Um simples objeto de papel que nos permite tanta coisa. Uma das características que mais me encantam em livros para criança é a forma como eles aproveitam o espaço físico do livro.

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Estamos no livro errado

Entrei na editora junto com Estamos no livro errado, de Richard Byrne. Ele tinha acabado de chegar da gráfica, eu, dos longos meses de desemprego. Nos demos muito bem. A Panda Books também publicou Este livro comeu o meu cão do mesmo autor. Em ambos o livro é um personagem muito bem utilizado. O do cão gira em torno do desaparecimento do bichinho de estimação da Bella, “engolido” pelo livro. Ela o procura ao longo das páginas e bem, é uma obra toda interativa, perfeita para contação de histórias. Estamos no livro errado é um pouquinho mais elaborado, mostrando todos os tipos de livros possíveis. Tem de tudo – história em quadrinho, jogo dos 7 erros, tutorial para fazer um barquinho e papel, e por aí vai. Bella tem um amigo, Beto, e ambos saem por aí pingando em vários cenários. Amigos, outro detalhe: tão fofinhas as ilustras que dá vontade de apertar ❤

O bônus do livro infantil da diferentona (pois sério)

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Também da editora, temos o livro de Katia Canton (ilustrado por Renato Moriconi), O grande  amigo. Este é mais cabeça, para crianças um pouco mais velhas. A Katia é professora da USP e curadora do MAC (Museu de Arte Contemporânea da USP). Se eu fosse criança é bem certo que me identificaria horrores com o Rodrigo, personagem central dessa história. Imaginem, os amiguinhos e a própria família do menino o apelidaram de Bicho do Mato só porque ele é muito tímido. Breve e muito verdadeiro, fala sobre a importância da autoestima. Para isso, ela faz um paralelo com os autorretratos de Rembrandt. Simples, objetivo, e com uma mensagem importante em tempos onde o bullying está sempre em pauta.

Esta foi a minha “porta de entrada” neste universo. E vocês, gostam? Tem curiosidade? Vamos trocar figurinhas sobre isso ❤

Lidy com isso! #07 – Produtos da Lush

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Sempre tive vontade de tentar isso de falar de produtos legais para a pele. Não maquiagem, mas creminhos e afins. Tinha receio de estar perdendo o foco porque estou sempre por aí falando sobre a vida, o universo e tudo mais, mas penso que o lance das belezinhas é um suspiro em meio a tanto perrengue. Vamos ver se acontece. Peguei alguns produtos da Lush que merecem o investimento e compartilho com vocês 🙂

Assistam e se inscrevam no canal ❤

Lidy com isso #06 – WRUN 2016

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Primeiro vídeo 100% sem filtro do canal. Se não me engano só tenho dois vídeos gravados com rejunte na cara, mas neste fiz a revolução e to exibindo essa cara feia toda suada e com olheiras maiores que eu. Todo esse desprendimento pra você sentirem mesmo o que é um pós-corrida, bem diferente das fotos cheias de filtro e perfeição da Gabriela Pugliesi. Vim contar um pouquinho pra vocês sobre a WRUN 2016, uma das provas femininas que acontece todo ano aqui em São Paulo. Espero que gostem, apesar das imperfeições!

Assistam e se inscrevam no canal ❤